Scott e Zelda. Um caso de amor nos anos loucos.

Autor

Leo Gilson Ribeiro

Resumo
Jornal da Tarde, 1980/07/26.

A primeira palavra que ele pronunciou, com menos de um ano de idade, foi, precocemente, up (para cima), nos braços da enfermeira estupefata, a pacata Mrs. Knowlton. Antes de completar seu quinto aniversário, sua mãe registrou exultante em seu diário a frase de seu pimpolho prodígio: "Mamãe, quando eu crescer será que eu vou ter todas as coisas que não posso ter agora?"

Francis Scott Key Fitzgerald (1898-1940) obteve quase todas as coisas que quis. Era um traço herdado de seu avô paterno, o irlandês McQuillan, que fugira da fome que dizimara a Irlanda, Irlanda, aliviada apenas pela importação maciça de batatas, para acumular uma fortuna de mais de dois milhões de dólares no semisselvagem Centro-Oeste dos Estados Unidos, na cidadezinha de Saint Paul, no território recém-anexado de Minnesota. O dinheiro importava mais do que a origem, nobre em termos norte-americanos, da mãe, descendente de uma "antiga família" de Maryland. Já na infância, vestido de marinheiro, ele adorava contar mentiras aos adultos, como a de que secretamente ele era dono de um iate valiosíssimo. A mãe de Scotty, como ele já era chamado, porém, tinha grandes projetos para o filho, o consolo que tivera depois de perder duas filhas durante uma epidemia: seu filho era diferente e por isso suas roupas eram mais caras e vinham do Leste civilizado, de Nova York. Além disso, o fracasso financeiro do pai, que perdera o emprego e envelhecera a olhos vistos, devido à depressão que sofrera naquela entrada do século XIX para o atual, seria compensado: a avó rica cedeu-lhes uma pensão alta para a época e a casa na melhor avenida da provinciana Saint Paul.

Scotty, na escola católica, fazia poucos amigos: era avesso aos esportes e lia poetas o tempo todo. Não seria um mariquinhas? Para sua mãe e para as garotas tais boatos não tinham a menor base: ele tinha uma inventividade natural, era o melhor em composição, sabia conversar com espírito e frequentava as aulas de dança indispensáveis para todo menino "de boa família". Sutilmente, no entanto, ele já começa a notar as distinções sociais: meninos e meninas chegavam para as aulas de limusine, com um brasão encrustado nos lados do carro, outros iam de bonde ou com os "sapatos finos" embrulhados num pacote, atravessando as ruas nevadas da cidade. Era a primeira distinção de classe que ele percebia nitidamente e que marcaria tão profundamente toda a sua futura carreira literária. Ele se sentia confusamente ligado à aristocracia do lugar, que consistia das famílias que estavam na cidade há três gerações, vindas do Leste. Não importava se viviam em digna pobreza ou em mansões imensas: ele era parte "daquele mundo" e não conseguia identificar-se com os pais: ele, um aristocrata que "descera" até a profissão de comerciante e falira; ela, sempre mal ajambrada e cometendo faux pas que a tornavam o alvo das gargalhadas da cidadezinha. Em Author's House, uma curta autobiografia, Scott Fitzgerald recordaria que desde a mais remota infância se imaginara "uma criança órfã, depositada por acaso diante da residência dos McQuillan-Fitzgerald, mas na realidade ele era e se sentia como o filho de um rei ou rainha da Casa Real dos Stuarts".

Mas Saint Paul era demasiado pequena para suas ambições e para os sonhos de sua mãe, "para o meu filho que um dia será famoso": ele foi para o Leste "civilizado", de famosos colégios, onde "desenvolveria seus múltiplos talentos" e pela lista que ele próprio compusera, sua autoestima era alta. Exercendo um fascínio nítido sobre as garotas, louro, de olhos azuis, um perfil "digno dos gregos antigos", socialmente "fino e bem educado", dispondo de "infinitas possibilidades intelectuais", como ele próprio se via, os esportes eram seu ponto fraco. Seria covardia, horror à brutalidade ou um pendor marcado para observar em vez de participar? Daí em diante ele quer entrar na Universidade de Princeton, uma das mais elegantes e esnobes, porque "lá se dedica mais interesse às letras do que aos músculos". Suas notas não eram suficientes para admissão em Princeton, mas seu talento literário para escrever dramas e libretos já se impusera. Não seria no campo do futebol americano que ele se tornaria célebre. E no ar ressoava a melodia nova, contagiante, de Alexander's Ragtime Band, que as famílias de "bem" desprezavam como sendo "música de negros", cacofônica, cheia de ritmo e entusiasmo, ironia e harmonias sincopadas. Sem o saber, Fitzgerald in tornar-se o arauto da era do jazz, os frenéticos anos 20, logo após a primeira Guerra Mundial.

Aos poucos, sua reputação literária crescia: como letrista, como autor de poemas e histórias rocambolescas. As revistas estudantis pretensamente literárias de Princeton estavam abertas para ele, e nas conversas até alta madrugada com seus colegas criteriosamente escolhidos como parceiros de "conversas profundas", ele os impressionava; e desesperava as moças, que o queriam como mero acompanhante de bailes, com suas elucubrações fastidiosas sobre "a vida e seu significado recôndito". Mas embora suas notas continuassem baixas, ele ascendia socialmente na camada que desejava: não a massa comum e ignara, mas os selected few capazes de comentar inteligentemente com ele os autores que lia com avidez, de Oscar Wilde a Shaw, de Shakespeare (que ele achava podia ser melhorado em alguns trechos) a Balzac.

Já prematuramente se delineia o drama que cindiria a vida de Scott Fitzgerald em duas partes em tudo desiguais. Ele se aproxima do severo crítico Alfred Noyes e lhe faz a pergunta decisiva: ele deveria no futuro tornar-se um escritor comercial ou um escritor sério, que deixasse obras de valor permanente para um público mais sofisticado? Suas inclinações já eram para o tipo de literatura que vendesse bem: "O dinheiro à vista era preferível ao renome na posteridade". Voluntariamente, ele cancela sua matrícula em Princeton e resolve voltar para o Centro-Oeste: a ênfase demasiada nos esportes o impedia de dedicar-se exclusivamente à literatura e, como que profeticamente, ele já antevia então que "a literatura não tem de ter um propósito moral, como nos aconselha Tolstói, senão não passa de um sermão literário, mas deve, ao contrário, exprimir a sensibilidade individual, as emoções, e nuanças que marcam momentos da vida de uma pessoa". Seria a sua marca inconfundível como escritor, o mais impressionista dos Estados Unidos, atento às mínimas mudanças no estado de espírito de um personagem e escondendo por trás de uma alegria ruidosa uma visão elegíaca da vida.

Embora reprovado e tendo que repetir um ano, ele decidiu que Saint Paul era tediosa demais para ele e que Princeton, com todos os seus defeitos, ainda era preferível. Mas Princeton tinha mudado: a Primeira Guerra Mundial se contrapunha ao Maxixe, ao Turkey Trot e à Aeroplane Glide, as danças que invadiam as salas com seu ritmo febril. A guerra mudara tudo, mesmo na América distante dos campos de batalha europeus: havia os que queriam manter as castas dos que pertenciam às fraternities (clubes de estudantes selecionados) e os que queriam abolir as diferenças, baseando-se nos ideais de igualdade e fraternidade de Walt Whitman, de Tolstói, do rebelde Thoreau, um dos primeiros ecologistas a elogiar a vida bucólica dos campos e a desobediência civil. Na Rússia distante, os bolcheviques tinham ganho a revolução de 1917, os Estados Unidos se predispunham mais e mais a participar do conflito contra a Alemanha, ao lado dos aliados. Fitzgerald ambicionava tornar-se oficial do Exército e, sintomaticamente, ele pressentiu que a experiência do combate terminaria com seu conceito de juventude. No forte Leaventworth, no Estado de Kansas, ele se apresen-ou para três meses de treinamento e escreveu as linhas que desenhariam o perfil de quase toda a sua obra: "Se voltarmos da guerra estaremos envelhecidos, da pior forma possível. Afinal, a vida não tem muito que oferecer, exceto a mocidade e, para os mais velhos, a adoração da juventude nos outros que ainda a preservam". Mas sua frustração foi maior ainda com a monotonia dos exercícios militares e com a impossibilidade de ser enviado ao front de batalha. Ao ver os soldados feridos que voltavam das trincheiras na França, ele se sentia diminuído, humilhado como quando fora excluído das glórias pacíficas, mas brutais do football norte-americano, com seus ombros almofadados e um elmo protegendo a cabeça e o rosto.

A guerra não deixou efeitos mais profundos em Scott Fitzgerald: estacionado perto de Alabama, ele lá encontrou Zelda, a beleza sulista típica, que se tornaria sua mulher e que está sempre presente em seus escritos. A sua guerra tinha começado contra as depressões crescentes de Zelda e com a literatura, dividida entre os contos de categoria indefinível, massacrados pelos críticos importantes e publicados na revista de circulação de massa como Saturday Evening Post, e a literatura séria: seus romances como O Grande Gatsby (Great Gatsby), o último Magnata (The Last Tycoon) e Suave é a Noite (Tender is the Night).

Embora seu desapontamento fosse imenso por não participar das batalhas, Fitzgerald não tomou parte ativa na Primeira Guerra Mundial. O dia do Armistício o deixou melancólico: ele não servia para nada? Não, restava a literatura e uma ambição desmesurada, a sua de tornar-se "o primeiro novelista, o mais importante, da América". E que lugar melhor para uma ambição sem limites do que Nova York, onde se concentravam as inteligências das editoras, dos teatros, dos grandes jornais e museus?

Começava a parte alegre e inconsciente da sua vida, refletida em parte em sua ficção romântica, em busca de refinamentos estéticos e completamente divorciada de considerações sociais. Eram os cafés da manhã substituídos por garrafas de champanha, a era dos bolos que se abriam em festas masculinas, mostrando no seu interior uma moça linda, a surpresa da noite, era a época do jazz, do ragtime, do blues, quando os negros surgiam com sua música pastosa ou frenética, envolvedora e quente, quando o mundo parecia estar aos pés dos ricos e poderosos. A América saíra pouco escoriada do seu contato com a beligerância europeia. Protegida de costa a costa por dois oceanos, a América podia deleitar-se em crescer, as fortunas das estradas de ferro, das minas, da indústria criando reis do milho, do aço, barões da locomotiva, enquanto a corrupção era a senha para qualquer big business. A América Latina era um quintal distante e nada ameaçador: povoada de ditadores e revoluções, verdade, mas nada que pudesse perturbar a placidez geral.

Foi uma carreira dilacerada não só pela dúvida entre a literatura como comércio e a literatura como reflexão filosófica: seu quarto em Nova York tinha uma parede forrada com as 122 cartas de recusa de revistas diversas em aceitar suas primeiras histórias. Como ele perguntou a seu agente literário: será que nenhuma revista a não ser as de pequena circulação, para intelectuais, aceita uma história que não tenha um final feliz ou mostre uma visão pessimista da vida?

Essa interrogação é típica da ambiguidade de Scott Fitzgerald. Talvez nenhum autor norte-americano tenha escrito com tanto talento, graça e requinte sobre festas, orgias, bebedeiras, sem nunca atingir a vulgaridade. No entanto, por trás da máscara de juventude, beleza, verve, coexistia uma vaga noção da tragicidade da vida. Mas tudo mudou quando seu primeiro livro This Side of Paradise foi aceito pela Editora Scribner's e se tornou um sucesso de público da noite para o dia. Fitzgerald praticamente inaugurou o mito do escritor que vive do que escreve e que no Brasil não atinge nem a dignidade de uma ilusão. Como Hesse mais tarde para a geração hippie, Fitzgerald tocara numa corda oculta dos jovens da sua época. Seus leitores logo o erigiram num altar e o elegeram seu porta-voz: a vida era puro hedonismo, dinheiro, sucesso, danças, beleza, juventude, as grandes causas políticas cansavam e eram inatingíveis, a vida existia para ser aproveitada ao máximo, o prazer sendo o único critério para quem não queria perder tempo com ninharias. A geração mais jovem culpava os pais pela Primeira Guerra Mundial e "pelo estado do mundo que nos deixaram como herança": um cinismo e um egoísmo elegante substituíam o moralismo pedante de um Emerson e a melancolia de um Edgar Allan Poe.

Evidentemente, os jantares e bailes, o jazz, o culto da juventude eram argumentos fúteis, e grande parte da crítica considerou Fitzgerald um alienado. Seu maior desafio começava com o despontar de um outro jovem, vindo como ele do Centro-Oeste, mas que participara da guerra e se dedicava a atividades atléticas, muita bebida e uma literatura viril: Ernest Hemingway. Durante toda a sua vida, Fitzgerald terá por Hemingway um misto de reverência e inveja: literariamente ambos pertencem a polos opostos. Fiztgerald cultivava uma reticência quase proustiana, que nada tinha a ver com a violência do boxe ou da corrida de touros espanhola que deliciava Hemingway. Seu tom era o das meias, tintas, da reminiscência levemente tingida de melancolia sentimental, com um sentimento agudo de perda progressiva de tudo a felicidade, a mocidade, o amor, a aparência, os sonhos à medida que o tempo inexoravelmente altera as bases para o apego à vida.

A Europa era um objetivo diferente: era a Riviera francesa, com suas vilas majestosas, os ingleses ricos, os magnatas norte-americanos e os boêmios que se acotovelavam com a vulgaridade dos ricos a nadar em piscinas de champanha. Uma palavra - glamour, o que significa encanto, charme - tornara-se como que o lema de uma juventude, mas ao mesmo tempo se tornara uma ameaça séria para um escritor sensível que queria penetrar em camadas mais densas da condição humana. Seu segundo livro, Flappers and Philosophers, desapontou muitos de seus leitores que não viram cumprida a promessa do livro de estreia. Mas o martírio começou mesmo com as histórias enviadas para a revista Saturday Evening Post, todas, ou quase todas, Fitzgerald sabia, niveladas por baixo para satisfazer o público de massa e as convenções de uma revista de grande circulação, dirigida às famílias bem-pensantes da América, todas, portanto, sucessos comerciais, mas que na realidade constituíam obstáculos para a tarefa maior, a única digna e que merecesse esforços: as novelas "sérias", para as quais seu talento único fora forjado e que agora estava paralisado pela luta em escrever para sustentar-se. A Europa tendo sido uma diversão a mais, "mil festas e nenhum trabalho feito", como ele próprio a descreveu, a volta para os Estados Unidos foi também um prenúncio do fim. O autor que "representava a sua geração" só conseguia escrever para o Post, com polpudos salários (um total de mais de 100.000 dólares), mas, como seu colega de Princeton, o crítico Edmund Wilson, sublinhou, os críticos não leem uma revista desse tipo e ninguém melhor do que o autor sabia que aqueles eram na esmagadora maioria histórias esquecíveis, o que ele judiciosamente reconhecia, não permitindo que a maioria delas surgisse na forma menos perecível de um livro.

A ida para Hollywood foi o golpe final. Zelda, mergulhando progressiva e inevitavelmente na loucura que a deixaria trancafiada em hospitais mentais para o resto da vida, decidira que seria uma dançarina clássica, embora tivesse começado tarde, e corria de uma cartomante à outra, em busca de confirmação das suas absurdas esperanças. Fitzgerald tampouco demorou a compreender que Hollywood era uma rendosa indústria, que por acaso lidava com filmes, como poderia ter lidado com açougues ou batatas: nada que pudesse perturbar a censura ou a Família americana poderia surgir nas telas, onde um puritanismo oco levava tudo a terminar num happy ending aparente e insatisfatório. Para animar o ambiente, começaram a frequentar festas usando pijamas e camisolas, mas nada podia consolar o autor "que era um mágico com as palavras" de que United Artists não reconhecia o seu talento e o tom de veracidade que ele queria trazer aos filmes, que não deveriam ser mero entretenimento financeiramente vantajoso, mas alienante para as massas. Cada vez mais ele começa a beber e a sublinhar atentamente um exemplar do Declínio do Ocidente, de Spengler, no qual começa a crer quase que religiosamente.

Era uma decadência que já se inculcara nele mesmo: "Serei sempre o melhor escritor da segunda categoria". Zelda contribuía decisivamente para esse crepúsculo: numa loja de flores ele teve dificuldades em acalmá-la, pois ela jurava que os lírios estavam falando com ela; de volta ao hotel, colocara todas suas roupas na banheira e lhes ateara fogo. O alcoolismo era a resposta para o caos que assediara ultimamente a sua vida. Mesmo a soma recorde que conseguira apenas em 1931 37.599 dólares de remuneração por suas histórias publicadas no Saturday Evening Post e outras revistas populares, com uma circulação para milhares de leitores não o iludia: para uma secretária que estava datilografando um de seus contos e o elogiara, ele respondeu, ríspido: "Não é preciso mentir a respeito disso é um lixo e você sabe que é literalmente nada, nada". Sua morbidez se acentua à medida que o tempo passa: mostra aos amigos fotografias detalhadas de soldados jovens desfigurados por estilhaços de granada durante a Primeira Guerra: membros arrancados, o nariz irreconhecível, outro com metade do rosto arrebentado em pedaços. Uma outra guerra, pior do que a primeira, está por vir; Fitzgerald previa para todos que estivessem por perto. E essa certeza não o apavorava: o enchia de uma alegria macabra. Seu diário, suas conversas com os amigos e suas cartas estão cheias de uma irremediável magoa: ele perdera Zelda, que nunca mais poderia viver fora de um hospício, e o mundo se tornara incerto, ameaçador, ele sofrera demais e queria passar por um período de esquecimento, durante o qual nada acontecesse. Era o período do Crack Up, aquela série de ensaios em que ele minuciosamente se lamenta diante dos leitores e revela claramente suas feridas durante aquele colapso que se apoderara dele. Sua visão do mundo tornara-se pessimista como a de Theodore Dreiser e de Joseph Conrad. Outros talentos, além do de Hemingway, que sempre o impressionara, surgiram na literatura norte-americana: Erskine Caldwell, Faulkner, Thornton Wilder. Não havia mais espaço para ele.

A crítica contemporânea empreendeu uma justa ressurreição da parte positiva do talento requintado de Fitzgerald. A melancolia e o estoicismo de seus anti-heróis, o apaixonado Gatsby que dá festas suntuosas depois que perdeu a amada Daisy para um milionário, o Dick Diver de Suave é a Noite, e suas porções autobiográficas com a esposa submergindo naquela noite irrecuperável da demência e, sobretudo, sua novela inacabada, O Último Magnata, como visão do poderio e da solidão de um magnata de Hollywood, além de suas coleções de contos esplêndidos, cheios de novidades de estilo e uma inusitada finesse de percepção, como The Diamond as Big as the Ritz tudo assegura sua fama duradoura, hoje.

Por todas essas razões, não tem muito sentido a publicação, no Brasil, da tradução de alguns de seus piores contos jamais impressos pela Editora Cultura: Zelda e Scott Fitzgerald: Pedaços do Paraíso (329 páginas). São, quase sem exceção, justamente os contos que ele desprezava e que queria esquecer, porque nada adicionavam à sua estatura como escritor nem constituíam nada mais do que um esbanjamento comercial do seu talento. Neles se encontram a caricatura de Scott Fitzgerald, agravada pela colaboração sem talento comparável de sua mulher Zelda. É um lançamento dotado de excelentes intenções mas que carece de qualquer julgamento de valor, pois mostra ao leitor a parte mais fugaz e merecidamente fugaz de um escritor desigual, sem dúvida, mas que em seus grandes momentos atingiu, ao contrário daqui, a magnitude de um grande escritor, sensível, emotivo, com um estilo incisivo e diálogos memoráveis.

Reuso

Citação

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Por favor, cite este trabalho como:
Gilson Ribeiro, Leo. 2024. “Scott e Zelda. Um caso de amor nos anos loucos. .” In A Literatura Norte-Americana, edited by Fernando Rey Puente, vol. 13. Textos Reunidos de Leo Gilson Ribeiro. Jornal da Tarde. https://doi.org/10.5281/zenodo.8368806.